No
início da manhã, saio de casa e caminho em direção a feira, no pequeno
município de Paripiranga. Ao chegar lá dou uma caminhada pelas barracas. No
decorrer da caminhada vejo uma simples mulher, sentada no chão vestida com
roupas esfarrapadas, e ao seu lado uma criança que aparenta ter um ano de
idade.
Permaneço observando essa cena pois logo penso que merece
ser escrita uma boa crônica com esse tema.
Percebo imediatamente que a mulher não está descansando,
pois ao seu lado há um potinho de goiabada com algumas moedas. No entanto o
pedido “me dê uma esmola pelo amor de Deus! ”, passa despercebido pelo vai e vem
de pessoas. O tempo vai passando e o rosto dela expressa tristeza e a pequena
criança que a acompanha, continua olhando ao redor como se estivesse em um
parque de diversão. Inocente criança! Diferente da fisionomia da mãe.
Com o Desenrolar do tempo penso em ir embora atrás de
outras ideias para a crônica, porém novamente passo a observá-los. A mãe do
garotinho estava procurando algo em uma bolsa de plástico, discretamente retira
um pequeno pedaço de pão e vai cortando em pedaços menores e colocando na boca
do menino. Enquanto ele mastiga, ela o analisa com ternura. Só depois que não
resta nem as migalhas para contar história é que suspira, satisfeita com o seu
próprio gesto de alimentar a criança.
Recomeça o seu pedido “me dê uma esmola pelo amor de Deus!
Para me ajuda comprar comida para meu filho”. Algumas pessoas passam e viram o
rosto para não ver a cena. Alguns passam direto, outros até param e mandam a
pobre mulher:
-Vá procurar o que fazer, ao invés de ficar pedindo.
Toda vez que escutava a mesma frase abaixava a cabeça.
Não tendo sucesso começou a dar atenção ao filho,
entretanto seu jeito é de preocupada. Dar-se um tempo, e ela volta a pedir em
voz baixa. Aproxima-se dela, uma mulher e um menino pequeno, que remexe no
bolso do short, tira algumas moedas e entrega para a pobre mulher, o garoto
ainda vira para mãe e fala alguma coisa. A mãe tira de uma das sacolas um
pirulito que o pequeno menino dá para o filho da pedinte.
A mulher vacila e ameaça começar a chorar, mas acaba
enfim falando:
-Que Deus te abençoe, que Deus te livre de tudo que é
ruim e que Deus dê saúde.
Muitas vezes, para a sociedade aquelas moedas que o
garotinho deu para a mulher não daria para comprar nem uma bala, no entanto,
para a humilde mulher aquelas moedas valiam muito, não pelo valor que elas
representam financeiramente e sim porque aquele foi o primeiro gesto de bondade
que ela recebeu no dia. O garotinho também saiu ganhando pois recebeu um
agradecimento que alegrou seu dia.
VITORIA CAROLINY MELO, 8ª A, MEDICI, 2016.
Nenhum comentário:
Postar um comentário