Era uma sexta-feira pela
manhã, e eu estava andando entre as barracas de calçados, próximo à praça da
feira em Paripiranga. Ah, já ia esquecendo: na cidade onde eu vivo não tem
praia, não tem cinema e nem áreas de lazer. Mas aqui tem uma coisa que eu
duvido que em outra cidade tenha: a feira. Tá! Vamos combinar que toda cidade
tem feira, mas, como a daqui... Duvido existir melhor.
Nossa feira é um verdadeiro
Shopping ao ar livre. Sabe o porquê? Aqui se encontra de tudo!, Desde concerto
de panelas a corte de barba e cabelos; venda de frutas, legumes, verduras,
churrasco, lanches, doces, plantas, animais, bijuterias, utensílios domésticos,
tecidos, artesanato e roupas de todos os estilos, cores, tamanhos e marcas.
Bem!, Eu ia andando pelo nosso
"Shopping", para tomar um caldo de cana, com aquele pastelzinho de
feira que não poderia deixar de tomar – ainda mais com a fama e o sucesso que
faz por aqui – quando, por entre as barracas, avistei um homem cego e
maltrapilho, largado nas escadarias do velho armazém, próximo ao
quiosque.
Segurava um chapéu de palha
furado, com o qual parecia pedir esmolas. Por cerca de vinte minutos fiquei
parado a observá-lo, mas o que realmente prendia minha atenção naquele momento
era a educação e a atitude das pessoas que passavam por ele. Prestes a me
retirar, aproximou-se do homem uma senhora e novamente fiquei observando.
Aparência humilde, lenço na cabeça e vestido remendado mostravam a simplicidade
dela.
Abrindo uma bolsa preta que carregava,
retirou sete reais e pôs no chapéu ainda vazio do pobre miserável. Segundos
depois, o homem, levantando a cabeça recostada sobre a parede do mercado, disse
"Que Deus te abençoe". A senhora satisfeita disse amém e saiu. Aquele
gesto simples foi o suficiente para deixá-lo feliz como uma criança ganhando
aquele brinquedo tão desejado.
Aquela cena me levou a
uma reflexão: hoje, em um mundo tão moderno e tecnológico, as pessoas deveriam
estar mais unidas, mas não é o que acontece. Nossas vidas se tornaram mais
difíceis e corridas; cada ser humano lutando pelos seus sonhos e objetivos,
atrás de um bom emprego e de uma vida melhor. Acabamos nos tornando mais
egoístas e distantes uns dos outros. Naqueles vinte minutos que passei parado
ali, percebi que o cego da escada, para as outras pessoas que por ali passavam
apressadas, parecia mais ser um homem invisível, esquecido e desolado em um
canto. A vida parece mesmo ser injusta para alguns. Será que aquele homem
estava ali por escolha? Bom, o motivo real, acho que nunca saberemos, mas
acredito que por escolha ou opção não foi, pois ninguém escolheria estar
naquela situação. Percebi ali a grandeza
da cena: rico não é apenas quem tem dinheiro, pois a verdadeira riqueza está
nas atitudes feitas por pessoas simples, mas de um coração enorme, com vontade
de ajudar o próximo. Pobreza não quer dizer pobre de tudo... Aquela senhora que
deu a esmola ao homem cego, de pobre ela tinha apenas a aparência, pois havia
nela uma riqueza inestimável de sentimentos e compaixão.
Alex Pereira De Santana, 8ª A, MEDICI, 2016.
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