quarta-feira, 20 de julho de 2016

UM HOMEM QUASE INVISÍVEL

           Era uma sexta-feira pela
manhã, e eu estava andando entre as barracas de calçados, próximo à praça da
feira em Paripiranga. Ah, já ia esquecendo: na cidade onde eu vivo não tem
praia, não tem cinema e nem áreas de lazer. Mas aqui tem uma coisa que eu
duvido que em outra cidade tenha: a feira. Tá! Vamos combinar que toda cidade
tem feira, mas, como a daqui... Duvido existir melhor.      
      
           Nossa feira é um verdadeiro Shopping ao ar livre. Sabe o porquê? Aqui se encontra de tudo!, Desde concerto de panelas a corte de barba e cabelos; venda de frutas, legumes, verduras, churrasco, lanches, doces, plantas, animais, bijuterias, utensílios domésticos, tecidos, artesanato e roupas de todos os estilos, cores, tamanhos e marcas.            
           Bem!, Eu ia andando pelo nosso "Shopping", para tomar um caldo de cana, com aquele pastelzinho de feira que não poderia deixar de tomar – ainda mais com a fama e o sucesso que faz por aqui – quando, por entre as barracas, avistei um homem cego e maltrapilho, largado nas escadarias do velho armazém, próximo ao quiosque.             
            Segurava um chapéu de palha furado, com o qual parecia pedir esmolas. Por cerca de vinte minutos fiquei parado a observá-lo, mas o que realmente prendia minha atenção naquele momento era a educação e a atitude das pessoas que passavam por ele. Prestes a me retirar, aproximou-se do homem uma senhora e novamente fiquei observando. Aparência humilde, lenço na cabeça e vestido remendado mostravam a simplicidade dela.           
           Abrindo uma bolsa preta que carregava, retirou sete reais e pôs no chapéu ainda vazio do pobre miserável. Segundos depois, o homem, levantando a cabeça recostada sobre a parede do mercado, disse "Que Deus te abençoe". A senhora satisfeita disse amém e saiu. Aquele gesto simples foi o suficiente para deixá-lo feliz como uma criança ganhando aquele brinquedo tão desejado.             
              Aquela cena me levou a uma reflexão: hoje, em um mundo tão moderno e tecnológico, as pessoas deveriam estar mais unidas, mas não é o que acontece. Nossas vidas se tornaram mais difíceis e corridas; cada ser humano lutando pelos seus sonhos e objetivos, atrás de um bom emprego e de uma vida melhor. Acabamos nos tornando mais egoístas e distantes uns dos outros. Naqueles vinte minutos que passei parado ali, percebi que o cego da escada, para as outras pessoas que por ali passavam apressadas, parecia mais ser um homem invisível, esquecido e desolado em um canto. A vida parece mesmo ser injusta para alguns. Será que aquele homem estava ali por escolha? Bom, o motivo real, acho que nunca saberemos, mas acredito que por escolha ou opção não foi, pois ninguém escolheria estar naquela situação.                          Percebi ali a grandeza da cena: rico não é apenas quem tem dinheiro, pois a verdadeira riqueza está nas atitudes feitas por pessoas simples, mas de um coração enorme, com vontade de ajudar o próximo. Pobreza não quer dizer pobre de tudo... Aquela senhora que deu a esmola ao homem cego, de pobre ela tinha apenas a aparência, pois havia nela uma riqueza inestimável de sentimentos e compaixão. 

 Alex Pereira De Santana, 8ª A, MEDICI, 2016.

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