Sentado na janela da cozinha de minha casa
estava admirando o esplendor da chuva umedecendo o nosso sedento solo. Meus
olhos fixaram-se, quase que hipnotizados, deleitando a beleza que havia em cada
gota de água que escorria sobre a terra. Minha mente, naquele momento, fugira
para outros mundos, assim como um pássaro foge da gaiola. Isso acontecia por um
simples fato: eu estava procurando um flagra para escrever minha crônica.
O som da voz de meu pai mim chamando, me fez
aterrissar de meu vou. Fui ao seu encontro ali no quintal, no fundo da casa. Ia
com o desapontamento estampado em minha face, até aquele momento não encontrara
meu flagra. Ao sair do lado de fora de casa o destino mim fizera acordar para o
que estava à minha frente. Naquele momento eu já sabia a respeito do que
escrever.
Meu pai diante de meus olhos estava
preparando o quintal para o plantio, ele não mim chamara até ali em vão. Eu
nunca tinha visto aquele solo de massapê tão contente, parecia já saber o que
íamos fazer. As sementes pulavam de minhas mãos, pareciam crianças em um parque
de diversões. A terra as acolhia como uma mãe ao seu primeiro contato com o
filho. O modo simples de plantar fazia com que nos lembrássemos do passado de
nossa região em que a agricultura não tinha acesso de maquinários modernos: tratores,
colheitadeiras, arados e outros que até desconheço do nome.
Tenho certeza de que aqueles que conheceram
nossa pequena cidade há anos atrás sabem que para cada broto de feijão que
surgira naquele quintal trará com ele a esperança de dias melhores. Hoje a
ganância dos moradores venda seus olhos para o que está acontecendo. A nossa
mãe terra está adoecendo, os agrotóxicos que os agricultores colocam são
excessivos e a conduz para um caminho sem volta. As plantas que nascem aqui não
são mais as mesmas. O plantio de fundo de quintal é um dos poucos modos que
ainda há de as famílias remediarem-se desse mal e ajudarem a fazer uma
agricultura mais saudável.
Se logo de inicio eu não compreendera a
alegria daquele massapê agora eu entendo. Em meio a tanta lavoura doente, nosso
quintal respira aliviado em saber que temos consciência do que os agrotóxicos
podem fazer a ele. Espero que ainda dê tempo de meus vizinhos escutarem os
incansáveis gritos de socorro das terras do nosso município, pois, se não
agirem já, quando forem enxergar as consequências dos seus atos o solo já não
terá nem forças para falar um “ eu tentei avisar ”.
Miqueias Nascimento, 9º ano B, CMNSC, 2016
Parabéns Miqueias, muito bom seu texto!Sucesso na sua caminhada!
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ResponderExcluirRealmente Daniela, Esse texto ficou maravilhoso. Parabéns Miquéias. Escrever é uma arte.
ResponderExcluirÉ! Miquéias, Texto ótimo, estou torcendo muito por você e todos os envolvidos nesta obra prima.
ResponderExcluirÉ! Miquéias, Texto ótimo, estou torcendo muito por você e todos os envolvidos nesta obra prima.
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