quarta-feira, 27 de julho de 2016

UMA SEXTA-FEIRA CHUVOSA



  Mantinha minha cabeça encostada no vidro do carro, enquanto batucava os dedos em minhas pernas. Sono! Muito sono. Estava alheia ao que acontecia dentro daquele carro. Demasiadamente fatigada para prestar atenção na música que minha irmã cantarolava em balbucios, e também para interagir sobre o tempo, se não estou engana, minha mãe pontuava empolgadíssima com meu irmão sobre a nova estação que adentrava: o inverno.
O relógio marca 6h20 da manhã, ainda era cedo para ir à escola. Decidi então ficar na feira e ajudar minha mãe com as sacolas. Não gosto de aglomerados e toda aquela gente conversando ao mesmo tempo era irritante.
Passo os olhos sorrateiramente sobre o ambiente cheio de barracas e pessoas de todo os tipos imagináveis. Algumas conversavam por telefone e outras se esbarravam com conhecidos e aproveitavam para conversar um pouco. Os feirantes conversam sobre coisas triviais com seus clientes,  outros faziam propaganda sobre seus produtos incentivando as pessoas a se aproximarem e conhecerem suas mercadorias. E com o passar do tempo mais frutas foram vendidas. Mais uma fala repetitiva do vendedor de maçãs é pronunciada. E mais gente chega à feira e a praça vai ficando repleta.
Até ela também veio.
Chuvisquinhos de água resolvem se juntar àquela gente.
As gotinhas de água também querem se encontrar com as pessoas. Ponho-me a observar a reação das pessoas quanto à presença da chuva. É surpreendente o resultado. Parecia que ela já era esperada, todos aguardavam sua chegada ansiosamente.
De súbito, ela se desmorona nas barracas e entre as pessoas. Parece que ela sentia saudade de brincar nas ladeiras, e, de tão travessa, molhar os pés de quem passava por ali.
Era tão penetrante que molhava até o coração.
Todo mundo corria para se agasalhar nas barracas e alguns gritavam eufóricos saudando a visita.  Era simples. Sim, apenas chuva. Mas havia algo maior naquela chuva, e era inexplicável.
No entanto, continuava a gritaria que parecia incessante. Que música linda Deus está tocando. E é essa música que nos torna ricos, fartos, abençoados.  Pego o ritmo, e acompanho essa melodia batucando meus dedos, agora, na madeira da barraca em que estou. Nem para todas as sextas serem chuvosa! Nem para todas as sextas tocarem essa melodia, para que molhassem todos corações duros  que não sentem afeto por  coisas tão simples, que são tão grandiosas
Ainda bem que tem mais chuva esse mês para molhar mais corações e mais sextas-feiras de esperança.

                                                       Chayane Vieira Barbosa, 8ª A, MÉDICI, 2016

10 comentários:

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  2. Que texto belíssimo Chayane.Quanta sensibilidade.Chuva música linda que Deus está tocando...Parabéns!

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  3. Parabéns Chayane ! Sua crônica é de tamanha sensibilidade. Não estava na feira mas mim senti como se estivesse.

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  4. Parabéns Chayane ! Sua crônica é de tamanha sensibilidade. Não estava na feira mas mim senti como se estivesse.

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  5. Amei sua crônica Chayane! Como Miqueias falou, você utilizou as palavras com tamanha sensibilidade, tornando seu texto belo e prazeroso de ler.

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    1. Isso é gratificante. Muitíssimo obrigada!

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    2. A feira da minja cidade, sem dúvidas, é a melhor. Venha conhecê-la.

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    3. A feira da minja cidade, sem dúvidas, é a melhor. Venha conhecê-la.

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